Magazine do Xeque-Mate

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O elegante tapa de luva de pelica de Hildegard Angel em Bolsonaro

Xeque- Marcelo Bancalero

Não precisa mais nada...
Apenas uma breve reflexão nas palavras da amiga Hildegar Angel postadas em seu blog, para sair desse consentimento vergonhoso daqueles que ao não demonstrar desprezo, acabam por concordar com o posicionamento desse crápula, cuja mulher e mãe, se ainda as tiver... Merecem minha pena.
#ForaBolsonaro
Hildegar foi elegante como sempre...
Leia;

As 12 Estações da Paixão da Mulher Brasileira, aquela que não merece ser estuprada, feia ou bonita


Publicado em 14/12/2014
O deputado Jair Bolsonaro diz que não estupra a deputada Maria do Rosário porque ela não merece. Ainda explica: não merece porque é feia.
O deputado militar da reserva não aprecia a deputada, a qual, além de defender a linda causa das mulheres oprimidas, patrocina, através de seu mandato, os direitos humanos em geral.
A Comissão Nacional da Verdade, depois de anos de um trabalho sério, exaustivo, minucioso, imparcial, conduzido pelo jurista Pedro Dallari, cumpriu sua missão – como bem declarou o comandante da Marinha, almirante Julio Moura Neto – e publicou longo Relatório, deixando um legado fundamental para a História do Brasil.
Ato contínuo à divulgação do Relatório, um grupo de já notórios militares reformados, que costuma celebrar os aniversários do Golpe, fez publicar um anúncio pago em página fúnebre de jornal carioca, e alguns colunistas e editorialistas correram céleres a sofregamente comparar “dois lados”. Como se fosse possível tal similaridade, baseando-se em suposta lista de mortos “do lado de lá”, elaborada não se sabe com que elementos, na tentativa de se conferir a esta lista a mesma credibilidade dada ao árduo trabalho de mais de três anos da Comissão Nacional da Verdade, constituída pelo Governo do Brasil!
Compreende-se o desconforto de tais senhores, que encomendaram o espaço publicitário, ao verem seus nomes ou os de seus pares indelevelmente comprometidos com o massacre covarde e unilateral realizado durante a ditadura, quando quem detinha o Poder e a Força eram apenas eles. O que alguns colunistas, comentaristas, editorialistas e palpiteiros em geral, escandalosamente, ainda ignoram.
Já que nesta segunda década do terceiro milênio, em nosso país, persiste o descaso pelas mulheres, somando-se à total ignorância, por formadores de opinião de alto porte, dos fatos históricos ocorridos em unidades militares protagonizados por agentes de Estado (e não faz tanto tempo), oportuno é repetir hoje, domingo 14 de dezembro de 2014, minha reportagem de 29 de março de 2010, Sexta-Feira da Paixão, publicada noJornal do Brasil. Vamos a ela.
O título:
UMA VIA CRÚCIS BRASILEIRA
“Hoje não é dia de rir nem de brincar. É Sexta-Feira da Paixão, dia de jejuar, lembrar a paixão do Cristo crucificado, os suplícios sofridos em nome de salvar a Humanidade de seus próprios horrores.
São as estações da Via Crúcis, que nós nos acostumamos a ver representadas nas paredes das igrejas. Hoje, dia de chorar e carpir dores, percorreremos juntos as 12 estações de uma Via Crúcis diferente, brasileira, sofrida por mulheres notáveis, que vocês vão agora descobrir.
Não eram nem assaltantes nem traficantes nem criminosas. Brasileiras patriotas, jovens idealistas, estudantes na maioria, atuando para reconduzir nosso país ao atual estado democrático, para que pudéssemos exercer a liberdade do pensamento, do ir e do vir, do discutir, do divergir; pudéssemos voltar a ser cidadãos, a pensar como indivíduos e não como um rebanho perfilado e obediente, um Brasil de catatônicos, sob a ditadura militar.
Outras mulheres como essas, bravas, corajosas. únicas, enchem as páginas do livroLuta, substantivo feminino – mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura, lançado pelos ministros Paulo Vannuchi e Nilcéia Freire. Todos são casos comprovados pela Comissão dos Mortos e Desaparecidos, e  nos dão vergonha, nos tiram qualquer possibilidade de inocência, revelam o quanto sórdido pode ser o homem quando detém poder absoluto sobre o seu semelhante. Um circo de anormais pago com o dinheiro do contribuinte.
Creiam, dói tanto em mim escrever sobre isso quanto será dolorosa, para vocês, a leitura. É a penitência que a colunista lhes propõe nesta Sexta Santa, na esperança de que cada vez mais brasileiros apoiem a Comissão Nacional da Verdade, cujos trabalhos estão prestes a ser iniciados, para que tais horrores, sob ordem e patrocínio daqueles governos vigentes, não caiam no esquecimento, jamais se repitam…”
A PRIMEIRA ESTAÇÃO
A paixão segundo Rose…
“Sobe depressa, “Miss Brasil”, dizia o torturados enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ’40 dias’ do parto. Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’. Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia com seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’.
Rose Nogueira, que conheci quando eu apresentava, na Globo, um quadro no TV Mulher, dirigido por ela, é jornalista e foi presa, em 1969, em São Paulo.
SEGUNDA ESTAÇÃO
A paixão segundo Gilze…
“Eu estava arrebentada, o torturador me tirou do pau de arara. Não me aguentava em pé, caí no chão. Nesse momento, fui estuprada”.
Gilze Cosenza, assistente social aposentada de Belo Horizonte. Foi presa em 1969. Sua filha tinha quatro meses.
TERCEIRA ESTAÇÃO
A paixão segundo Izabel…
“Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdã Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choque elétricos, jogo de empurrar e ameaça de estupro. Eu estava grávida de dois meses e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, eu abortei. Quando melhorei, eles voltaram a me torturar”…
A professora Izabel Fávero foi presa em 1970, em Nova Aurora, no Paraná. Hoje ela é docente universitária, lecionando administração, no Recife. 
QUARTA ESTAÇÃO
A paixão segundo Hecilda…
“Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, apanhei e comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não devia nascer’. (…) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura científica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Eu não conseguia ficar em pé nem sentada. As baratas começara, a me roer. Aí me levaram ao hospital da guarnição em Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.
Hecilda Fontelles Veiga, estudante de Ciências Sociais, presa no quinto mês de gravidez, em 1972, em Brasília. Hoje vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará.
QUINTA ESTAÇÃO
A paixão segundo Marise…
“Eu era jogada nua e encapuzada, como se fosse uma peteca, de mão em mão. Com os tapas e choques elétricos, perdi dentes e todas as minhas obturações”.
A socióloga Marise Egger-Moelkwald ainda amamentava seu filho quando foi presa em 1975. Marise mora em São Paulo.
SEXTA ESTAÇÃO
A paixão segundo Yara…
“Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala da tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.
Yara Spadini, assistente social, foi presa em 1971, em São Paulo, onde é professora aposentada da PUC.
SÉTIMA ESTAÇÃO
A paixão segundo Inês Etienne…
Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo ‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades os mais grosseiros”.
Inês Etienne Romeu – bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte.
OITAVA ESTAÇÃO
A paixão segundo Ignez Maria…
“Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. Eu fui muito torturada, justamente com o Gustavo (Buarque Schiller), porque descobriram que era meu companheiro”.
Ignez Maria Raminger estudava medicina veterinária, quando foi presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria da Saúde. 
NONA ESTAÇÃO
A paixão segundo Dulce…
“Eu passei muito mal, comecei a vomitar, gritar. O torturador perguntou: “Como está?”. E o médico: “Tá mais ou menos, mas aguenta”. E eles desceram comigo de novo”,
Dulce Chaves Pandolfi, professora da FGV-Rio. Da ALV, foi presa em 1970 e serviu de “cobaia” para aulas de tortura. 
DÉCIMA ESTAÇÃO
A paixão segundo Maria Amélia…
“Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a  pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala enquanto eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.
Maria Amélia de Almeida Teles, diretora da União de Mulheres de São Paulo, era professora de educação artística quando foi presa em São Paulo, em 1972.
DÉCIMA-PRIMEIRA ESTAÇÃO
A paixão segundo Áurea…
“Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o mundo por cima. Eu estava com minha filha e tremi”.
A enfermeira Áurea Moretti, torturada em 1969, considera a anistia inócua, porque ela cumpriu pena de mais de quatro anos de cadeia, mas seus torturadores sequer foram processados pelos crimes que cometeram.
DÉCIMA-SEGUNDA ESTAÇÃO
A paixão segundo Diléa…
“Dois homens entraram em casa e me sequestram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”…
dilea frate
Dileá Frate por mais de 20 anos dirigiu o programa de Jô Soares, em São Paulo. Hoje, vive no Rio, onde é jornalista e escritora, com vários livros publicados. Foi presa em 1975, em São Paulo, quando estudava jornalismo.
Reportagem publicada em 29 de Março de 2010
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