Magazine do Xeque-Mate

terça-feira, 5 de março de 2013

Chaves termina sua missão e descansa. Por aqui, a luta do companheiro Lula continua!

Xeque - Marcelo Bancalero
Qualquer  semelhança entre Lula e Chaves, é mera coincidência!
Ambos resgataram a dignidade de seu país.
Sofreram com o câncer.
São odiados pelo PIG e a oposição.
Deixam os poderosos de outros países preocupados!
E são amados pelo povo.
Chaves parte levado pelo câncer.
Lula ainda luta contra um outro tipo de câncer que quer matar não o homem mas sua história e seu legado.
O câncer tucanus midático que  vem sendo fortalecido por uma bactéria suprema de sigla JB, que usa a condenação de inocentes  para tentar atingir  sua vítima.
A missão de Chaves chega ao fim!
Por aqui, a luta  do companheiro Lula continua!



Morreu Hugo Chávez

Presidente da Venezuela, de 58 anos, não resistiu ao cancro.
Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu nesta terça-feira, aos 58 anos, num hospital militar em Caracas, na sequência de complicações após a quarta operação ao cancro, anunciou o vice-presidente Nicolás Maduro.

“Às 16h25 [21h25 em Lisboa] morreu o Presidente comandante Hugo Chávez. A toda a sua família transmitimos a nossa dor e a nossa solidariedade”, disse Maduro, que a imprensa venezuelana descreve como emocionado. “É uma tragédia histórica aquela que hoje toca a nossa pátria. Apelamos a todos os nossos compatriotas a serem os vigilantes da paz, do amor e da tranquilidade da pátria. Queridos compatriotas, muita coragem, temos que crescer por cima desta dor”, afirmou.

Nicolás Maduro, designado pelo próprio Chávez como seu sucessor, mobilizou as Forças Armadas e a polícia para "proteger a paz do povo venezuelano". Os chefes militares, por sua vez, já se afirmaram fiéis a Maduro, que deverá disputar as eleições presidenciais com o líder da oposição, Henrique Capriles, que perdeu a disputa eleitoral com Chávez em Outubro. Sondagens recentes davam a vitória a Maduro.

Fotografias e vídeos da agência Reuters mostram venezuelanos na rua a chorar, abraçados e a agitar bandeiras.

Hugo Chávez era Presidente da Venezuela desde 1999. Foi reeleito em Outubro, mas não chegou a tomar posse. Há muito que se especulava sobre o seu estado de saúde e a oposição já estava a preparar-se para novas eleições presidenciais, que agora terão mesmo de se realizar. A constituição prevê que a presidência seja assumida interinamente pelo presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, que tem de convocar eleições no prazo de um mês.

Depois de meses de informação difusa, também a hora e o local da morte de Chávez estão a ser alvo de polémica. O site do jornal espanhol ABC noticiou (com base em fontes "habituais" e não identificadas que têm contacto com a equipa médica) que a morte de Chávez aconteceu várias horas antes da hora comunicada por Maduro. Segundo o ABC, o vice-presidente teve de atrasar o anúncio para que o corpo pudesse ir de Cuba, onde o jornal afirma que Chávez estava internado, para a Venezuela.

Nesta terça-feira, numa intervenção em directo na televisão pública, Nicolás Maduro tinha anunciado a expulsão de um diplomata dos Estados Unidos da América, acusado de conspiração para propagar rumores sobre a morte de Chávez e de ter tentado contactar antigos militares, afectos ao regime anterior à revolução chavista. Maduro acusou ainda os "inimigos" da revolução de terem provocado o cancro do Presidente venezuelano.

Barack Obama reagiu em comunicado à morte do líder da Venezuela, afirmando que "os Estados Unidos reafirmam o apoio ao povo venezuelano e o interesse em desenvolver uma relação construtiva com o Governo venezuelano". A nota acrescenta que "quando a Venezuela começa um novo capítulo na sua história, os EUA permanecem empenhados em políticas que promovam os princípios democráticos, o Estado de direito e o respeito pelos direitos humanos".

Após as operações em Cuba, Chávez voltou à Venezuela a 18 de Fevereiro, altura em que publicou o seu último tweet. O regresso à pátria foi visto por alguns como sinal de uma melhoria no estado de saúde do Presidente e uma forma de finalmente tomar posse, mas outros analistas viram nesta viagem um sinal de que a doença ganhava a batalha.



Dica de leitura da amiga Cristiana Castro
"A árvore das três raízes"

10/12/2012: No momento em que Hugo Chávez anuncia o vice-presidente da Venezuela como possível sucessor, pesquisador analisa seu discurso de poder. Bolívar, Rodriguez e Zamora são a base da retórica do líder socialista

Por Rafael Betencourt

Poucas figuras políticas chamaram tanta atenção na ultima década quanto o presidente venezuelano Hugo Chávez, que, na semana passada, anunciou seu vice como sucessor, já que voltou a fazer tratamento contra um câncer. Chamado de santo por uns, autoritário, populista e ditador por outros, Chávez criou um discurso político que merece ser analisado para além dos tradicionais estereótipos maniqueístas. A imensa popularidade que move seu governo desde a primeira eleição, em 1998, procura enfatizar uma identidade nacional e latino-americana,  a partir do resgate da memória de figuras históricas notáveis como Simón Bolívar, Simón Rodriguez e o general Ezequiel Zamora. A lembrança destes três personagens é chamada de árvore de três raízes.

A criação do socialismo chavista apresenta uma redefinição teórica do socialismo real vivenciado no século XX, que tinha no pensamento marxista sua principal base conceitual. Neste novo projeto venezuelano, a história latino-americana e seus processos de luta anticoloniais que varreram o século XIX tornaram-se a principal referência. A eficiência desse discurso político se deve à forma como Chávez articula a então “Árvore das três raízes” com suas propostas atuais modelando um radicalismo democrático nas práticas institucionais de seu governo.

Bolívar

Chavez cria, a partir do uso desses personagens históricos, o imaginário de uma segunda independência. Simón Bolívar certamente é o mais conhecido das três referências. Nascido em 1783 em Caracas, foi o principal líder das lutas de independência contra o domínio espanhol no século XIX. Durante mais de dez anos lutou pela libertação do território que hoje corresponde à Venezuela, Colômbia e Equador. Seu ideário político foi construído através de suas cartas e discursos, sempre insuflando a ideia da união da América na luta contra os espanhóis. Sob orientação do professor Simón Rodriguez, entrou em contato com o pensamento de Voltaire e Rousseau, e com as ideias emancipatórias do Iluminismo.

A idealização de uma América Latina integrada, como o discurso do presidente Chávez tanto enfatiza, reverbera a ideia de Bolívar de uma Grande Colômbia, uma única nação latino-americana na região, uma união necessária contra a dominação estrangeira. A referência a Bolívar na construção de um discurso nacionalista não era novidade na esquerda venezuelana e remonta aos grupos engajados na guerrilha dos anos 60, como o FALN (Fuerzas Armadas de Liberación Nacional). Porém, sem dúvida, Chávez foi mais bem sucedido ao relacionar Bolívar com um discurso de afirmação de identidades e de resistência à influência norte-americana.

A segunda raiz da árvore bolivariana, Simón Rodriguez, professor e amigo de Bolívar,  nasceu em Caracas no ano de 1769, trabalhou e viveu na Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Chile e Peru. Seu trabalho estava centrado na integração dos indígenas latino-americanos e dos escravos negros nas sociedades dos futuros Estados independentes. Na Bolívia, também lutou pela educação pública dos filhos dos indígenas e seu engajamento político sempre foi por meio do papel da educação. Rodriguez foi responsável pela escola primária em Caracas, mas desde sempre a sua briga pela inclusão de negros e pardos lhe causou alguns problemas com as elites locais. Após ser dispensado pela prefeitura da cidade pôde se dedicar à causa da independência.

Foi em Paris, nos tempos de Napoleão, que se encontrou com Bolívar. Nessa época, o mito latino-americano faz um juramento pela independência venezuelana que, transcrito por Rodriguez, chega às mãos de Chávez. Dos seus dias na Europa,  Rodriguez percebeu que cabia à América Latina construir seu próprio caminho, independente das influências europeias, arraigada nas peculiaridade de sua terra. Sua emblemática frase, “Ou inventamos, ou erramos”, se transformou em um ponto importante do atual programa bolivariano de governo.

Zamora

O terceiro elemento da árvore é Ezequiel Zamora, líder das forças federais na guerra civil (também conhecida como La Guerra Larga) de 1840 a 1850. Sua luta foi contra a oligarquia de terras, em busca de uma reforma agrária para o país. No entanto, a principal convergência da luta de Zamora ao programa de Chávez é o simbolismo da junção de militares e civis. Zamora foi aclamado pela esquerda como um socialista antes da época, e se intitulava “General da soberania popular” com profundas influências dos movimentos liberais de 1848 na Europa. O general tem um significado especial na vida de Chávez: o avô do presidente marchou junto ao exército da soberania popular de Zamora e, desde sua infância, o atual presidente venezuelano ouve suas histórias.

A última batalha de Zamora aconteceu em 1859 e foi travada em Barinas, na cidade natal de Chávez. A história oral foi a grande responsável pela sobrevivência dos seus feitos, sua constante solidariedade ao campesinato pobre e o clamor pela insurgência contra as elites locais convergem com a ideologia chavista em três slogans do governo atual: Tierra y hombres libres; Elección popular; Horror a la oligarquia.

A referência ideológica aos três personagens refunda a teoria socialista do século XXI criada pelos bolivarianos de Chávez e apresenta um novo projeto ideológico de radicalismo democrático para a América Latina. A ideologia bolivariana então se constrói fundamentada em alicerces da experiência anticolonial venezuelana e latino-americana congregando assim diferentes linguagens políticas sob o mesmo projeto revolucionário.

 Apesar dos estereótipos vinculados à sua imagem caricata, é preciso reconhecer que o projeto político de Hugo Chávez é muito mais complexo e atrelado à história venezuelana do que o senso comum sugere. O socialismo chavista revisita três ícones do processo de emancipação do continente frente ao domínio espanhol para se estabelecer na idealização nacionalista de seu excepcionalismo histórico. O enorme apelo popular do discurso chavista, e sua manutenção na presidência apesar de sua postura controversa, sugerem que mais importante do que taxá-lo de herói ou charlatão é compreender as razões para enorme projeção do seu discurso.

Rafael Betencourt é mestre pelo ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa e autor da dissertação O Discurso Contra-Hegemônico dos Direitos Humanos na Revolução Bolivariana (ISCTE, 2012). 

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/a-arvore-das-tres-raizes
‎"A árvore das três raízes"

10/12/2012: No momento em que Hugo Chávez anuncia o vice-presidente da Venezuela como possível sucessor, pesquisador analisa seu discurso de poder. Bolívar, Rodriguez e Zamora são a base da retórica do líder socialista

Por Rafael Betencourt

Poucas figuras políticas chamaram tanta atenção na ultima década quanto o presidente venezuelano Hugo Chávez, que, na semana passada, anunciou seu vice como sucessor, já que voltou a fazer tratamento contra um câncer. Chamado de santo por uns, autoritário, populista e ditador por outros, Chávez criou um discurso político que merece ser analisado para além dos tradicionais estereótipos maniqueístas. A imensa popularidade que move seu governo desde a primeira eleição, em 1998, procura enfatizar uma identidade nacional e latino-americana, a partir do resgate da memória de figuras históricas notáveis como Simón Bolívar, Simón Rodriguez e o general Ezequiel Zamora. A lembrança destes três personagens é chamada de árvore de três raízes.

A criação do socialismo chavista apresenta uma redefinição teórica do socialismo real vivenciado no século XX, que tinha no pensamento marxista sua principal base conceitual. Neste novo projeto venezuelano, a história latino-americana e seus processos de luta anticoloniais que varreram o século XIX tornaram-se a principal referência. A eficiência desse discurso político se deve à forma como Chávez articula a então “Árvore das três raízes” com suas propostas atuais modelando um radicalismo democrático nas práticas institucionais de seu governo.

Bolívar

Chavez cria, a partir do uso desses personagens históricos, o imaginário de uma segunda independência. Simón Bolívar certamente é o mais conhecido das três referências. Nascido em 1783 em Caracas, foi o principal líder das lutas de independência contra o domínio espanhol no século XIX. Durante mais de dez anos lutou pela libertação do território que hoje corresponde à Venezuela, Colômbia e Equador. Seu ideário político foi construído através de suas cartas e discursos, sempre insuflando a ideia da união da América na luta contra os espanhóis. Sob orientação do professor Simón Rodriguez, entrou em contato com o pensamento de Voltaire e Rousseau, e com as ideias emancipatórias do Iluminismo.

A idealização de uma América Latina integrada, como o discurso do presidente Chávez tanto enfatiza, reverbera a ideia de Bolívar de uma Grande Colômbia, uma única nação latino-americana na região, uma união necessária contra a dominação estrangeira. A referência a Bolívar na construção de um discurso nacionalista não era novidade na esquerda venezuelana e remonta aos grupos engajados na guerrilha dos anos 60, como o FALN (Fuerzas Armadas de Liberación Nacional). Porém, sem dúvida, Chávez foi mais bem sucedido ao relacionar Bolívar com um discurso de afirmação de identidades e de resistência à influência norte-americana.

A segunda raiz da árvore bolivariana, Simón Rodriguez, professor e amigo de Bolívar, nasceu em Caracas no ano de 1769, trabalhou e viveu na Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Chile e Peru. Seu trabalho estava centrado na integração dos indígenas latino-americanos e dos escravos negros nas sociedades dos futuros Estados independentes. Na Bolívia, também lutou pela educação pública dos filhos dos indígenas e seu engajamento político sempre foi por meio do papel da educação. Rodriguez foi responsável pela escola primária em Caracas, mas desde sempre a sua briga pela inclusão de negros e pardos lhe causou alguns problemas com as elites locais. Após ser dispensado pela prefeitura da cidade pôde se dedicar à causa da independência.

Foi em Paris, nos tempos de Napoleão, que se encontrou com Bolívar. Nessa época, o mito latino-americano faz um juramento pela independência venezuelana que, transcrito por Rodriguez, chega às mãos de Chávez. Dos seus dias na Europa, Rodriguez percebeu que cabia à América Latina construir seu próprio caminho, independente das influências europeias, arraigada nas peculiaridade de sua terra. Sua emblemática frase, “Ou inventamos, ou erramos”, se transformou em um ponto importante do atual programa bolivariano de governo.

Zamora

O terceiro elemento da árvore é Ezequiel Zamora, líder das forças federais na guerra civil (também conhecida como La Guerra Larga) de 1840 a 1850. Sua luta foi contra a oligarquia de terras, em busca de uma reforma agrária para o país. No entanto, a principal convergência da luta de Zamora ao programa de Chávez é o simbolismo da junção de militares e civis. Zamora foi aclamado pela esquerda como um socialista antes da época, e se intitulava “General da soberania popular” com profundas influências dos movimentos liberais de 1848 na Europa. O general tem um significado especial na vida de Chávez: o avô do presidente marchou junto ao exército da soberania popular de Zamora e, desde sua infância, o atual presidente venezuelano ouve suas histórias.

A última batalha de Zamora aconteceu em 1859 e foi travada em Barinas, na cidade natal de Chávez. A história oral foi a grande responsável pela sobrevivência dos seus feitos, sua constante solidariedade ao campesinato pobre e o clamor pela insurgência contra as elites locais convergem com a ideologia chavista em três slogans do governo atual: Tierra y hombres libres; Elección popular; Horror a la oligarquia.

A referência ideológica aos três personagens refunda a teoria socialista do século XXI criada pelos bolivarianos de Chávez e apresenta um novo projeto ideológico de radicalismo democrático para a América Latina. A ideologia bolivariana então se constrói fundamentada em alicerces da experiência anticolonial venezuelana e latino-americana congregando assim diferentes linguagens políticas sob o mesmo projeto revolucionário.

Apesar dos estereótipos vinculados à sua imagem caricata, é preciso reconhecer que o projeto político de Hugo Chávez é muito mais complexo e atrelado à história venezuelana do que o senso comum sugere. O socialismo chavista revisita três ícones do processo de emancipação do continente frente ao domínio espanhol para se estabelecer na idealização nacionalista de seu excepcionalismo histórico. O enorme apelo popular do discurso chavista, e sua manutenção na presidência apesar de sua postura controversa, sugerem que mais importante do que taxá-lo de herói ou charlatão é compreender as razões para enorme projeção do seu discurso.

Rafael Betencourt é mestre pelo ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa e autor da dissertação O Discurso Contra-Hegemônico dos Direitos Humanos na Revolução Bolivariana (ISCTE, 2012).

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/a-arvore-das-tres-raizes

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