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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lula no G20 diz que grupo deve ser capaz de evitar nova crise sistêmica


G20 precisa ser capaz de evitar uma nova crise sistêmica, diz Lula

10/11/2010 13:47,  Por Redação, com agências internacionais - de Maputo e Seul
Lula inaugura fábrica de remédios do coquetel contra a aids
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o G20 precisa discutir o fim do protecionismo e a questão cambial se quiser encontrar soluções definitivas para a crise econômica global. Próximo à partida para o encontro do grupo de países emergentes e industrializados, o presidente emitiu um “alerta” para que os países ricos olhem para a atividade econômica em suas economias em vez de adotar medidas cambiais com o propósito de lhes dar uma competitividade artificial no mercado externo.
– Nós estamos alertando: se não for resolvido o problema do crédito, do consumo e do câmbio, e tudo isso está ligado aos problemas no aumento da produção nos países ricos, nós poderemos continuar a ter a economia debilitada – disse o presidente, em Moçambique, onde fez escala antes de seguir para a Coreia do Sul.
Lula disse que “a única maneira de evitar a crise é aumentar o comércio entre os países e evitar o protecionismo”. Além disso, afirmou, “os países precisam de políticas anticíclicas para gerar emprego, renda e crescimento”. O presidente brasileiro disse que espera haver no G20 um “debate” sobre temas como política monetária, política cambial e comércio.
– As pessoas fingem que não levamos dez anos discutindo a necessidade de fazer um acordo comercial que era o acordo de Doha. Já faz dois anos e a gente não retomou. Sem que haja um aumento do comércio, do consumo e da produção, fica difícil resolver o problema da crise – disse.
Sobre a questão do câmbio, Lula disse que “não é correto que os países tomem decisões sem levar em conta a consequência do acontecimento em outos países”. Ele se referia ao anúncio, na semana passada, de que o Federal Reserve (banco central dos Estados Undos) injetaria US$ 600 bilhões na economia americana até junho de 2011. A medida foi criticada por vários países por seu potencial de aumentar ainda mais o fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes, sobrevalorizando as moedas locais.
– Quando um país que produz a moeda resolve desvalorizar a sua moeda no intuito de aumentar a sua competitividade no mercado internacional, causa transtornos a outros países – afirmou.
Críticas
Lula criticou os países ricos por tentar ensinar os países mais pobres a lidar com crises no passado. O presidente indicou que agora os papéis se inverteram.
– Como os países ricos habitualmente tentavam dar lições ao Brasil de como a gente fazer, seria importante que humildemente agora eles fossem aprender o que é que nós fazemos para que eles pudessem adotar políticas iguais. Quando a crise ocorria na Nicarágua, na Bolívia, ou no Brasil, estava cheio de palpiteiros que davam palpite sobre como resolver a crise nos países pobres. Agora que a crise foi nos países ricos, não tem ninguém dando palpite, então eu estou dando um palpite: façam como se faz no Brasil que as coisas ficam mais fáceis – criticou.
O presidente se queixou também da demora para encontrar uma saída para a crise da Grécia, um “país pequeno” cuja deterioração econômica contaminou toda a Europa.
Lula comentou também a afirmação do presidente americano, Barack Obama, sobre as medidas adotadas pelos EUA na área econômica. Segundo Obama, se as medidas são boas para a economia dos EUA, também são boas para o mundo.
– É bem possível, porque as que foram ruins foram ruins para nós. Quando os EUA erram, o efeito de um erro americano pode causar transtorno em vários outros países. Quando a política americana aumenta o consumo, o emprego, a renda e o poder de compra das pessoas, isso é bom. É bom para a Europa, para o Brasil, para a América Latina. Agora o que é verdade é que o que é bom para os EUA é bom para os EUA, e o que é bom para o Brasil, é bom para o Brasil. Assim fica melhor, mais claro e mais soberano o comportamento de cada país – afirmou.
Obama
Também presente ao encontro do G20, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, procurou mudar o foco para os desequilíbrios globais e tirar de evidência as políticas de seu país, enquanto líderes globais se reuniam em Seul nesta quarta-feira. Obama, que enfrenta críticas à política norte-americana de estímulos monetários ao chegar para a cúpula de dois dias do G20, disse que uma economia forte dos EUA é vital para a recuperação mundial, e pediu que os colegas do grupo deixem de lado as diferenças e façam sua parte para incentivar o crescimento econômico.
“Quando todas as nações fazem sua parte… nós todos nos beneficiamos do crescimento mais alto”, escreveu Obama em carta enviada aos líderes do G20 na véspera. Uma cópia da carta foi obtida pela Reuters nesta quarta-feira. Críticos dizem que a política do Federal Reserve enfraquece o dólar em detrimento a outras nações, mas Obama afirmou que a força do dólar depende da força da economia norte-americana.
Na carta, Obama buscou retornar a discussão aos desequilíbrios globais e insistiu quue os EUA não são o único país que precisa mudar suas maneiras para conduzir uma recuperação estável e forte.
“Assim como os Estados Unidos precisam mudar, também precisam aquelas economias que dependeram anteriormente de exportações para ofuscar a fraqueza de sua própria demanda”, disse Obama, em referência indireta à China.


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